As Teorias de aprendizagem adotadas nas escolas respondem às exigências da sociedade atual?
A teoria de aprendizagem mais utilizada nas nossas escolas,
teoricamente, é o construtivismo. No entanto, as práticas dos docentes
ainda refletem uma mistura, mais ou menos equilibrada, das três
principais teorias de aprendizagem: Behaviorismo, Cognitivismo e
Construtivismo. Dependendo da área disciplinar e das aprendizagens a
realizar, as três teorias de aprendizagem podem coexistir em momentos
diferentes e devidamente contextualizadas. O problema das práticas
docentes está essencialmente na forma "como o fazemos" e nem tanto "o
que fazemos". Muitas vezes, quando trocamos experiências com colegas,
que são considerados "bons professores", e tentamos colocar em prática
as mesmas estratégias por eles utilizadas, verificamos que não resultam,
pois reproduzimos o que se faz e não como se faz. Além disso, há todo
um contexto, tipo de alunos, ambiente, disciplina e mesmo a própria
identidade profissional que vai limitar as designadas boas práticas.
Por outro lado, face à sociedade atual, cada vez mais globalizante, e ao
modo como os jovens adquirem o conhecimento, formal e/ou informal,
constata-se que as escolas ainda não estão devidamente preparadas, não
estão a conseguir acompanhar o ritmo de evolução das tecnologias e,
consequentemente, adaptar o ensino às novas gerações de aprendizes.
A resolução, das limitações existentes, não depende apenas dos docentes,
da sua disposição em mudar práticas e em se atualizarem, é necessário
que a escola mude em termos de espaço, de tempo e de mentalidades, assim
como em termos organizacionais. As políticas educativas vigentes nos
últimos anos têm vindo a estabelecer alguma aproximação aos novos
paradigmas da educação, mas ainda há um longo caminho a percorrer.
O surgimento de uma revolução Informacional, com o "nascimento" da
internet e a facilidade de acesso à rede, levou a uma nova abordagem às
teorias de aprendizagem - Conectivismo. Este foca-se na atual sociedade
"onde as tecnologias permitem um fluxo de informação ilimitado" (Araújo,
2010, p.109). Estes avanços nas tecnologias de comunicação, permitem a
disseminação e o compartilhamento de ideias em tempo real. É inegável
que nos dias de hoje o mundo está interligado muito para além das
fronteiras físicas. É esta ideia de tudo estar conectado e em qualquer
parte do mundo a informação chegar em tempo real, que se baseia o
Conectivismo, no estabelecimento de conexões. Numa sociedade cada vez
mais apressada e na qual é exigido uma constante readaptação, torna-se
fundamental obter a informação ao mesmo ritmo. No entanto,
aprender/apreender é um processo que nunca acaba, o que aprendemos num
determinado momento da nossa vida tem uma utilidade relativa em função
dos avanços do conhecimento, o que nos obriga a uma atualização
constante. É este paradigma de "Aprendizagem ao longo da vida" que
determina a importância de espaços e tempos educativos, para além dos
espaços e tempos escolares. Ser professor no século XXI é reinventar um
sentido para a escola, tanto do ponto de vista ético quanto cultural. A
mudança só é possível com a implicação e o envolvimento de todos os que
nela intervenham e dela beneficiem, na linha de um paradigma de ação
coletiva e das culturas colaborativas. A formação inicial dos
professores terá de ter em consideração estas novas abordagens,
prepará-los para esta nova realidade de aprendizagem - obtenção de
informação através da rede e (re)construir e produzir conhecimento
interativo. É fundamental levar o aluno "a aprender a aprender" (Araújo,
2010, p.116), a adquirir competências para saber selecionar a
informação válida, desenvolver o espírito crítico e ter a capacidade de
tomar decisões.
A globalização trouxe uma maior movimentação de pessoas, na procura de
melhores empregos e qualidade de vida. No entanto, essa livre circulação
de pessoas e bens deu origem a uma desigualdade no direcionamento dos
fluxos de informações. Constituíram-se sociedades mais competitivas do
que outras, os países mais desenvolvidos conseguem transmitir e expandir
mais facilmente os seus valores. Assistimos a uma globalização não só
de acesso fácil à informação, mas também de influência cultural,
situação que poderá levar ao desaparecimento da identidade original de
um país.
